segunda-feira, abril 24, 2006

Ode à Inercia (ou... como ligar o "foda-se")

"Quando não se sabe o que fazer, o melhor é não fazer nada". Essa frase foi dita pelo célebre Dom João VI, Imperador do Brasil no sec XVIII, em algum momento de epiphania. Eu não gosto dele. Sua postura ante a vida foi bastante medíocre, e acredito que sua vinda para o Brasil foi tão covarde quanto prejudicial à história do país. Contudo ele sabia bem a hora de uma retirada estratégica. Lá isso ele sabia.


"Mas o que me chama atenção é a relevância dessa frase. Parece justificar a indecisão, conceder inércia àquilo que já não queria se mover. A indecisão parece ser motivo para deixar de fazer as coisas, mesmo que não se entenda o porque disso. A inércia para, deixa as coisas mais tristes, sem ânimo. E nos acostumamos. Tornamo-nos "inertes".


"Entretanto, há algo de interessante nessa capacidade de permanecer inerte. Costuma evitar o estresse. Luis Fernando Veríssimo certa vez disse que o nível de estresse de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se" que ela costuma dizer. Quantas pessoas você não conhece que não se lembra de terem mudado nada em anos, e não parecem nem um pouco preocupadas com isso? Elas simplesmente podem ter ligado a "chave foda-se" e resolvido serem deixadas em paz.


"Tudo bem. Só que há uma diferença marcante entre essas duas posturas. A de permanecer inerte e a do "foda-se". Enquanto um sofre querendo mudar, o outro olha o tempo passar com satisfação. Enquanto um cultiva ansiedade por dentro, querendo a todo custo homologar seu modo "inerte" de vida, o outro em sequer se preocupa se alguem está pensando algo dele, a menos que algo lhe seja dito. E memso assim, dizer algo para um "foda-se", a menos que seja muito importante, não o faria mudar. Nem esquentar a cabeça. Normalmente, um inerte sempre tenta emular, imitar, ao menos agir como um "foda-se".


Eu aposto que Dom Jõao VI era bem cuca fresca. Mas, mesmo assim, não tente sair por aí classificando e catalogando. Nada disso é ciênica exata. Mas uma coisa é certa: eles sabem o que os incomodam, e cada um sabe de si. Não há como sabermos quem é quem. Provavelmente, só eles mesmos, quando vão dormir, tem a medida exata de sua posição. No caso do "foda-se", talvez nem isso.

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