quinta-feira, outubro 19, 2006

Monografia (ou... ode aos títulos explicativos)

Meus olhos, se revoltam, exaustão precoce. Escreve é m,ais simples quanto você não está tentando convencer que está certo. Eu não costumo ligar muito, mas dessa vez, o método exige. Vou deixando pequenos pedaços de mim na tela do computador, coisinhas que eu venho acreditando nos últimos anos, e que o meu orientador vai mandar tirar se tiver o mínimo de bom senso. Torcer para que não tenha. Não vai sobrar nada. Às vezes, prefiro me imaginar incompreendido, mas não ignorado. É preciso frisson, e agora em conjunção com os ouvidos e olhos do mundo.

sábado, outubro 14, 2006

Av. Brasil

- Tio, porque os homens da televisão no debate se ofendem tanto?
- Isto é política menino...
- Mas tio, tá engraçado, um fica falando que é melhor que o outro
mas, pelo visto, os dois roubam, né?
- É, pelo que os dois mostram...
- Mas tio me explica uma coisa que eu estou curioso... Se os dois têm provas que ambos são desonestos, por que é mesmo que vamos votar neles?
- Por que vivemos em um país democrático, menino, e nosso voto é obrigatório.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Eu queria te dizer que...

Tenho mania de querer inventar moda às vezes. Uma delas, de tentar inventar a cada dia um jeito diferente de dizer que seus olhos são lindos. Tentar reconhecer você em mim por meus próprios gestos. Você me capta de um jeito que, ainda que me visse filmado, eu não perceberia. Até aquele movimentozinho que você faz com a boca, a forma de você ajeitar meus óculos.

O silêncio de hoje é diferente do silêncio de quando conversamos pela primeira vez. Aquele que tinha o peso do suspense, do talvez nunca mais nos falarmos. Se aquele ônibus tivesse atrasado ou adiantado. Eu tenho medo só de pensar no que poderia não ter acontecido. Se eu não tivesse me sentado ao seu lado, apreensivo, com curiosidade e um coração batendo mais forte.

Não é necessário inventar uma forma mais complexa de dizer as coisas. Você sabe disso muito bem e, por isso, diz com os olhos. Não há momento melhor no dia que aquele em que olho dentro dos seus olhos e sinto sua respiração. Olhos cansam fácil, parece que deveriam se agüentar mais nos detalhes. Dos seus olhos que deixam serem vistos e que me deixam ver para além deles.