quinta-feira, setembro 11, 2008
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terça-feira, agosto 26, 2008
... e os olhares se calam
QUATRO ANOS É MUITO TEMPO
Voltinha celular sapateado. Existem coisas que não cabem a um órgão público, uma delas é gastar rios de dinheiro servindo cafezinho pra aspones e demais folgas nas autarquias Brasil afora e voltinha celular sapateado mas a pior delas são órgãos como Assembléias Legislativas e Senado Federal gastar com propaganda. Pra que diabos o Senado por exemplo quer fazer propaganda? o que vai divulgar a campanha? venda de senadores? só pode. Não há o que divulgar, todo mundo sabe que terá de votar e que tem depensar e ameaçar com quatro anos de miséria um não funciona quando um povo não sabe o que é viver fora dela nem que existe uma câmara de deputados em todas as unidades federativas, e eles estão lá, pelo menos na teoria pra servir o público e não há necessidade de dizer OLHA GENTE EXISTE UMA ELEIÇÃO PELA FRENTE>>>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>>>>> Existem propagandas que são essenciais, o Ministério da Saúde se vale de muitas delas para informar o cidadão geralmente em horário nobre e não custa barato, e a campanha da vacinação contra a Rubéola tão em voga no momento; porque as gotinhas não vão pagar pro horário na TV, nem usam outdoors e nem banners em carros e nem barulho. Faz toda a diferença. Que os cadidatos se encarregem do barulho eu até entendo o que me fura o olho é que alguém pare para olhar.
segunda-feira, agosto 25, 2008
A queda
segunda-feira, março 10, 2008
O fim do começo é o começo do fim
“Viver é muito perigoso”. Essa celebre frase, dita por Riobaldo, em Grande Sertão veredas, tem ocupado grande parte das minhas reflexões de vida. Por que uma verdade tão simples é ao mesmo tempo tão complexa? Ontem, tomando um super frapê de café no Starbucks, 900 km de casa, me peguei apensar nessa história, que quase me custou uma lágrima solitária. Se tivesse rolado, teria sido até bom, porque lágrimas quando bem produzidas trazem consigo uma sabedoria difícil de obter de outra forma. Mas, de fato, sempre me parece estranhamente familiar essa questão crucial, que me bota melancólico por saber que a única resposta é a própria vida, incógnita pronta aos olhos, embora muitos não a vejam. Viver é tomar partido diante da vida, é fazer coisas, é estar no mundo para valer, disposto à briga. O que me lembrou uma das muitas frases especiais, daquela que dispõe do copywriting da minha alma: “Listas adiam o tempo, é preciso viver o agora”. De tão simples, é difícil para alguém como eu, que passou toda a adolescência listando o indizível e escondendo cabeça no buraco do avestruz.
Para Riobaldo, em sua sabedoria de matuto, a vida é repleta de tentações, e a imaginação, a criação humana, pode ser coisa do demônio. “Por isso é que se carece principalmente de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura”. A saída de Riobaldo não é sem lógica. Em verdade, é a de quase todo mundo: colocar alguma coisa nos buracos da alma para preencher. “Ignorância é benção”, me lembraram disso outro dia. Pode ser sábio se contentar só com um saber, não sei. Há algum tempo me é sabido que há certas respostas que nunca terei e coisas que nunca farei, e isso já deprimiu. Ainda o faz um pouco, é certo dizer, mas não há coisa mais bonita. Viver só é belo porque é perigoso, só dá gosto porque exige entrega, destreza do espírito. Exige assumir o risco, risco sempre grande, presente. Complicado: não há formulas, não há soluções prontas. Diria que não há saída mesmo. Cada escolha é individual, única, incomparável e ao mesmo tempo excludente. Não se vive duas vidas.
No Grande Sertão, Guimarães Rosa enfatiza a cada momento, via Riobaldo, quão perigoso é viver. “Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra”. Contar o que se vive, então, “é muito, muito dificultoso”. O mais interessante é que, no meio de tudo isso, há gente. É a única esperança da existência, embora no coletivo a coisa ande debandando para um destino meio estranho. Eu rio dessa descrença, mas só depois que consegui rir dessa crença. Porque viver é muito perigoso, sim, e é preciso beber água de todo rio. É preciso fazer não menos que tudo o que se precisa, sob pena de não ter vivido, desculpa indesculpável. É preciso sofrer tudo sem fugir, sob pena de não ter aprendido e perder a oportunidade. É preciso escolher, mesmo quando a contingência é duvidosa e o céu nubla. É preciso fazer poesia a cada instante, com o que vier pela frente.