quarta-feira, outubro 21, 2009

Me corrijam se eu estiver errado, mas, no futebol, se você é o novo técnico e tem um campeonato pela frente, você não manda o Capitão e o artilheiro embora depois do primeiro treino, sem ter outro craque pra colocar na lugar. Ou manda?

segunda-feira, outubro 19, 2009

Perguntas econômicas, ou Será que ainda estamos no lucro?

Tenho lido alguma coisa sobre Economia e História do Brasil. Além do fato de esses temas terem adquirido uma importância maior pra mim - prova cabal de que, sim, estou ficando velho - tenho pensado bastante coisa de uma perspectiva... ahnm, menos... rebelde.

Sim, o Brasil passou, ao longo de sua história econômica, por uma série de abusos descabidos que, na melhor das hipóteses, levaram boa parte do que poderíamos ter usado, numa primeira análise, para construir riquesa aqui. E eu não me refiro a exportação de dançarinas de axé - falo de comodites bem mais clássicas: ouro, açucar, madeira, café, engenheiros e jogadores de futebol.

Mas não consigo deixar de pensar que, ainda assim, ficamos com algum lucro, justamente pelo fato de termos sido colonizados por portugueses, esses, sabidamente, não são os maiores especialitas em gestão e capitalismo de mercado. Além do mais, ser exportador de um único produto valioso não é algo que garante riqueisa para todo o povo - vide Oriente Médio.

Penso que, se algo realmente atrapalhou o Brasil, esse algo ocorreu até depois da independência, quando continuamos dependentes economicamente e não houve investimento em industria de base própria - não houve "alinhamento" (essa palavra se encaixa bem em qualquer situação, não?) com o desenvolvimento que se realizava fora. Porque estavamos ocupados produzindo um só produto, continuando o modelo da colonização.

Sim, trivial, meu caro. Mas também podia ter sido pior. Se tivessemos sido colonizados por espanhois, o estrativismo seria tamanho, e tão sem outras alternativas, que poderíamos ter, ainda hoje, um desenvolvimento agropecuário e industrial mais precários. E pior, teríamos muito provavelmente um território fragmentado. Ou seja, eu provavelmente seria estrangeiro ao viajar para o Rio de Janeiro. Isso certamente pioraria ainda mais a rivalidade entre os times de futebol.

Bem ou mal, a unificação promovida pelo modelo não tão sustentável de colonização portuguesa produziu um país que tem fronteiras com outros 10 (não me lembro se há outro com mais), com uma cultura de realtiva aceitação de diferenças - sem gerras há mais de 100 anos - e que deixou alguns potenciais econômicos para a geração atual gerir (e não vou comentar a venda da Vale porque vão dizer que sou petista. Mas nada contra o PT).

Isso quer dizer que eu acredito no Brasil será a maior potencia do mundo, que tudo vai dar certo no final e House e Cuddy vão realmente se casar? Não. Mas, se não seremos os mais desenvolvidos, acredito que temos potencial para sermos os mais felizes.

Razões para se sentir importante morando no Rio


1. As pessoas que você conhece, da sua cidade natal, querem passar o feriado na sua casa.
2. As pessoas que não você conhece, da sua cidade natal, querem passar o feriado na sua casa.
3. Eventos culturais gratis.
4. Você começa a achar normal tropeçar em pessoas que já atuaram em Malhação por ai.
5. Atores e celebridades são assaltadas em locais onde você passa com frequência, ali, perto da mercearia onde você compra frutas.
6. Os policiais são chiques e andam muito de helicóptero.
7. Helicópteros caem com uma frequencia assombrosamente acima do normal.
8. A TV Globo se dá ao trabalho de apagar partes da cidade (aquelas lá, nos morros) no Photoshop.
9. Shows de bandas grandes (as vezes) passam por aqui.
10. Algumas pessoas parecem brilhar mais que o que pode ser considerado normal.

Sobre a ausência

Tá. Ok. Certo. Começando de novo, mais uma vez, com aquela garra esperta de segunda-feira depois do Yoga, pra não desaminar de novo. Estamos de volta, tamo junto. É nóis.

terça-feira, junho 30, 2009

Everybody's Changing

Meu mais antigo amigo, filósofo criativo e sujeito ateu há mais de dez anos, cortou longas madeixas e se converteu ao Luteranismo. Estranho-estranho-estranho. Errado? Não, de forma alguma. Não é possível acretidar que alguém viva sempre pelos mesmos valores, sempre do mesmo jeito, sem nunca metamorfosear. Querem prova maior que abaixo?



O menino de blusa vermelha - canto superior esquerdo da imagem - fazendo essa cara tímida e inocente, sou eu. Eu era tímido e inocente. Ainda sou, mas não sou, não da mesma forma. O menino fazendo chifrinho em mim é o Janos, e sim, nós somos amigos desde que consigo me lembrar. E isso me lembra que eu tenho muito poucos amigos, ou talvez eu os distingua de outros viajantes que poderia considerar mais. Eu ainda não sei. Porque às vezes parece que todos estão mudando e eu talvez não me sinta tão bem com isso.

Tão pouco T________e________m________p________o

Tanto que dá pra perder o quanto ainda dá para se sentir o mesmo. Eu tento guardar os pedaços de quem eu sou no meio de um furacão de prazos-metas-objetivos-seleçõe-sagrados-artigos-treinamentos.

Riobaldo diz Viver é perigoso, menino! mas o medo que se tem é o de ser tomado, arrebatado pelo fluxo do grande rio.

Sempre que eu desejei muito que algo acontecesse, nunca as minhas escolhas eram as mais corretas. O meu maior medo talvez seja perceber agora que eu nunca estive no controle. Eu sempre fui escolhido pelas melhores coisas que me aconteceram: no amor, no intelecto, na vida profisional.

Hoje, eu tenho certeza de que eu tanto caí apenas para aprender a ficar de pé. E não tenho mais medo de estar entando fazer um movimento só para continuar no jogo. Mudei de atividade três vezes em um ano, e agora mais uma vez aceito o desafio do eterno caminhar. Talvez esse seja meu maior vício.

Nas veredas eu agora me perco. A diferença é que não mais tenho tanta pressa em me achar.

quinta-feira, setembro 11, 2008

... something wrong

Você sente aquele frio na barriga, Amargo no estômago, Palpitação cardíaca, Os olhos querendo desistir. E sabe que é pra ficar pois para você nunca está bom e qualquer lugar nunca é o seu; é quando você se lembra da verdade mais inexorável do universo, a de que você Está Errado, Sempre Esteve Errado e Sempre Estará Errado. E disso você não consegue se livrar mesmo que momentaneamente sem uma faca junto ao pulso gole de cachaça vômito amigo. Você entende que quando deus chegou pra você e disse Desde e arrasa, na verdade ela falou isso para um monte de gente, e sua ótica foi se esquivar disso a vida inteira e não devera estar surpreso com quão fundo você consegue chegar quando se determina a fazer justamente o contrário disso, e então você pensa Que merda, isso é você fazendo o melhor que muita gente e dando tudo o que pode, o que aconteceria se você simplesmente se recusasse a fazer parte disso tudo? - mas é bom não pensar muito nisso, garoto, pois isso enlouquece e o fato de você conhecer um monte de gente querendo essa mesma sua loucura para si parece mais masoquismo que determinação. So when you ask 'is something wrong? That I think you're damn right there is, but we can't talk about it now. No, we can't talk about it now, deus responde, e Você sente aquele frio na barriga, Amargo no estômago, Palpitação cardíaca, Os olhos querendo desistir.

terça-feira, agosto 26, 2008

... e os olhares se calam

Seria comigo tragicomédico se não fosse a mais pura verdade, o mundo pára para ver as coisas mais toscas e inúteis passarem e nunca se lembram do que realmente importa na vida porque há muito desaprenderam o que devia ser importante. Os vendedores nas portas das lojas não procuram mais crientes, as mães se e sobressaltam no meio do passeio com filhinho e cachorro, o tio do sorvete fica longamente segurando uma casquinha e no meio da tarde parece que até o vento se rendeu e parou pelo cansaço, pararam para ver a paródia da vida, a promessa recilada, para ver o barulho passar. Você pensa como pode ser possível, como uma cidade dessa cheia de povo gente arvores frutas trufas pessoas correndo mamães passeando com filhinho e cachorro e outras gentes que nunca param para ver a vida passar param desdem aprodrecem só para ver meia dúzia de carros velhor passando músicas recicladas de homens reciclados nos outdoors reciclando funções públicas. Eles estão brincando, eles não pararam para ouvir a ladainha, estão todos se fingindo de bestas espertos e vão cair na risada tão logo o parulho passe pela rua lentamente até se cansar de ser importuno e levar usas bandeirolas para bem longe; mas não é mesmo o que está parecendo, está parecendo que eu sou o único que se incomoda e que o mundo cansou de brigar e vai continuar fazendo tudo do mesmo jeito porque nunca houve nada diferente a fazer e desaprendeu-se a aprender a diferenciar mesmo as menores migalhas entre o que é barulho e o que é política: e você está no meio de tudo isso, você está entre o tio do sorvete olhando besta e o filhinho olhando o cachorro e os vendedores que pararam porque o mundo parou, e o gaulho está em todos os lugares, está na TV está no rádio está na rua e na minha cabeça explodindo e exigindo atenção até na sua própria falta. Você já não consegue acreditar que as pessoas aguentem tudo aquilo sem engolir seco, e você olha para as gargantas delas, verifica e nada, nem um suspiro descontente. O mundo está morto, agora dentro do meu bolso e na frente dos meus olhos e na tela da TV.

QUATRO ANOS É MUITO TEMPO

Voltinha celular sapateado. Existem coisas que não cabem a um órgão público, uma delas é gastar rios de dinheiro servindo cafezinho pra aspones e demais folgas nas autarquias Brasil afora e voltinha celular sapateado mas a pior delas são órgãos como Assembléias Legislativas e Senado Federal gastar com propaganda. Pra que diabos o Senado por exemplo quer fazer propaganda? o que vai divulgar a campanha? venda de senadores? só pode. Não há o que divulgar, todo mundo sabe que terá de votar e que tem depensar e ameaçar com quatro anos de miséria um não funciona quando um povo não sabe o que é viver fora dela nem que existe uma câmara de deputados em todas as unidades federativas, e eles estão lá, pelo menos na teoria pra servir o público e não há necessidade de dizer OLHA GENTE EXISTE UMA ELEIÇÃO PELA FRENTE>>>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>>>>> Existem propagandas que são essenciais, o Ministério da Saúde se vale de muitas delas para informar o cidadão geralmente em horário nobre e não custa barato, e a campanha da vacinação contra a Rubéola tão em voga no momento; porque as gotinhas não vão pagar pro horário na TV, nem usam outdoors e nem banners em carros e nem barulho. Faz toda a diferença. Que os cadidatos se encarregem do barulho eu até entendo o que me fura o olho é que alguém pare para olhar.

segunda-feira, agosto 25, 2008

A queda

Você acorda e descobre e olha pra baixo e percebe que todos estão te olhando, as caras grudadas em você que dá pra sentir o odor dos poros delas mesmo a distância, encarando o seu suor às 8h00 da manha. Você já devia saber, você já devia saber, saber, como uma vaca, como um limpador de parabrisas eles vem te olhar e te perguntar com os olhos se você é realmente pirado, há quanto tempo você está suspenso ali e por quanto mais irá agüentar. Sim, é que provavelmente elas estão pensando isso porque não tem nada melhor pra fazer, você vai ver cara, vai ver quando elas estiverem no seu lugar, como é bom e elas certamente estarão muito mais feias e vesgas e incertas e desquitadas quando fizerem o mesmo que porque no fundo elas terão muito mais motivos. E rugas, E VARIZES! Você concatena e pensa que na verdade dormiu a noite inteira naquelas tábuas de madeira sem saber o motivo, mas na noite anterior lembra-se que contava histórias aos pombos (ou seriam pombas?) e atrapalhava o sono delas jogando gim em suas cabeças e o que teria me dado na cachola para beber gim afinal? bebida de velho e provavelmente foi a mesma coisa que me teria feito guardar a bebida no estômago em vez da outra destinação menos socialmente aceitável, bom o que importa é que eles continuam te olhando lá de baixo e alguém com mais consideração ou menos senso de humor já chamou a polícia e isso diminui o seu tempo para gracinhas e uns bons minutos................................... quatro você calcula, agora mesmo elas já devem estar se comunicando pelo rádio pedindo reforços...................:::::::::::::::TZWNZXXXX::::::::: VIATURA, ALPHA UNO AQUI É VINTE E TRÊS, ESTAMOS NA ESQUINA DA AVENIDA BOA VENTURA COM A MARECHAL DEODORO, MELIANTE SUSPENSO NO DÉCIMO QUARTO ANDAR DO PRÉDIO POR FORA DA JANELA, SOLICITANDO AMBULÂNCIA E REFORÇOS, CÂMBIO :::::::::::::WAXTHSSSSTSZXXXXXXNN :::::::::::::............... e eles vão se esquecer de solicitar uma equipe dos bombeiros como eles sempre se esquecem, porque quem está de plantão se ainda é como era do jeito que era quanto você ainda era plantonista noturno naquele maldito jornal te diz que era o otário capitão Eduardo no comando e com ele é tudo na base do eu sozinho resolvo e fico com a fama. A mãe aponta para cima e fala viu meu filho, gente direita não faz isso não porque é pecado e o pastor disse que vai tudo para o inferno e a criança lha com ainda mais curiosidade, quase esquecendo que tem nas mãos seu caderninho com a sorridente Hello Kitty naquela convidativa pose que dá vontade de esganar, ela, não a criança, que fique bem claro, porque você virou suicida, mas ainda não virou comunista chinês. VOCÊ TEM QUASE TRÊS MINUTOS ANTES QUE ELES ENTREM AQUI COM UMA MACA TENTANDO TE FAZER MUDAR DE IDÉIA. O que eles não sabem é que você já esta ali faz três dias, chegou no sábado já pelas 21h00, só entrou porque, para alguém distraído do RH do jornal, você ainda trabalha lá, nunca mandaram cancelar seu crachá e como você há uns três anos ficou amigo do antigo encarregado pelos sistemas de segurança você podia entrar no terraço, e fazia sempre isso para fumar. Fumar e conversar com os pombos. Era preferível, a falar com aqueles borra botas donos do mundo que ganhavam uma merreca mas conseguiam entrar nos lugares bombantes de graça e beber bebidas bomantes de graça e ganhar brindes bombantes e presentes bombantes de graça sempre que algum produto era lançado e era interessante que vocês fossem noticiar, era preferível, embora o pessoal da fotografia fosse o mais gente boa e os que mais fumassem, e talvez fosse por isso ou pela insistência do dono do jornal em colocar as fugas de J. S. Bach a todo volume redação do jornal afora que eu fumava mais do que uma locomotiva velha e fosse ter uma efisema pulmonar antes dos 30, mas não agora tenho 27 e todo o mundo pela frente, JUST DO IT, e serei uma pessoa feliz enquanto obedecer minha sede, a nicotina e essa compulsão por gim com ameixas secas, que, como a televisão disse, ficam muito melhor em taças de cristal, vai saber porquê. A medida que o vento vai batendo nos blocos de vidro enfumecido que compõe a parede do prédio no qual você está quicando neste momento, as pessoas começam a acenar lá embaixo, e a menininha aperta com força os lábios e a figura da Hello Kitty contra o corpo. Os reforços da polícia e a ambulância já estacionam à porta do prédio e começam a pedir inutilmente para que todos dêem licença: realmente, pessoal: uma morte assim, antes do almoço, não é algo que se vê todo dia, e se for como você janela a queda não vai estar estampada nos telejornais. Se quiserem meu corpo em movimento, terão de se contentar com a definição das câmeras de celular; a julgar pela quantidade de equipamento que eles estão trazendo para cima; tem primeiros socorros, balão de oxigênio............... digno de uma celebridade, sair do prédio do jornal, maca e quatro enfermeiros mascara de oxigênio estampada na cara. NÂO, OBRIGADO. Tudo bem que você está fraco, mas pudera: ficar mais de 50 horas em cima de um andaime de madeira a 14 andares, 60 metros, uma garrafa de gim, dois potes de ameixas secas e um copo descartável de distância do chão te deixaram fraco pra caralho, o cara lá embaixo vendendo o cachorro-quente, o que eu não daria agora por um cachorro quente?, o cara lá ganhando o dele com o olho grudado em mim. Se eu sequer tivesse movido mais do que a minha cabeça nesse tempo todo que estão me olhado aqui de cima, desde que aquela moça que te viu ao sair da padaria (quase certeza, ela já serve café para o Beraldo, aquele podre que rouba dinheiro de casais em crise, no oitavo andar, enquanto você ainda trabalhava lá); certeza que não teriam chamado a polícia tão rápido, que não teriam te levado tão a sério; mas eu fiquei quieto, é provável que, ao chamar os homens eles pensassem que eu já estava morto, aqui quicando na parede de vidro e ficaram com receio de ligar direto pro rabecão. AH, MELISSA, SE AO MENOS VOCÊ ESTIVESSE AQUI PRA ME VER!!! SE AO MENOS VOCÊ NÃO TIVESSE FUGIDO DESSA MERDA DE PAÍS LOGO QUANDO PÔDE!!!, SE AO MENOS VOCÊ TIVESSE ACREDITADO NA GENTE!!!.................................................................... E agora ela te largou assim que subiu naquele avião e você sente que está morto desde que abriu aquela carta cheia de Eu te guardarei na memória para sempre, Ampliei meus horizontes, A Liberty State é linda como nos filmes (você ao acoso reparou que escreveu assim, em inglês, LIBERTY?). Que diferença faz se são 14 andares ou sete palmos, ou trinta linhas; a queda é a mesma, a queda de um horizonte sem fim, de um paralelepípedo eterno que diz O mundo é muito grande, Roberto, o mundo é muito grande e eu não volto, com a mesma cara de pau de quem diz Não é com você, é comigo. A verdade é que você me esqueceu assim que desembarcou em Nova Jersey com os sonhos do mundo estampados do que sobrou da passagem só de ida. E eu agora devo ter menos de um minuto antes que entrem pela porta metálica do terraço cheio de boas intenções. Eu realmente pensei que teria mais a dizer; o mais perto de a vida passar diante dos meus olhos já aconteceu, ontem a noite, quando você decidiu que iria realmente ficar aqui deitado até cair. Você pensou nos seus pais, lá na fazenda, te esperando no próximo feriado, que você não fez agronomia como o seu velho queria, que você largou a aula de violão que tanto dizia que gostava que você não pegou aquela moleca da aula do teatro quanto ela deu um tempo com o namorado, que você pegou sua terapeuta momento em que ela mais precisava de você (sim, você via carência nela, que mal havia?) que você nasceu-cresceu-quase-se-reproduziu-e-quase-morreu tudo isso na faculdade quatro anos enrolando o jornalismo e outros quatro deixando ele enrolar você antes de virar um escritor sem livros e um compositor sem sucessos e sua terapeuta mudou para os para Nova Jersey com desculpa de estudar. Curto, teve uns 50 segundos o flashback e agora só tem mais uns 20 antes do fim e você já escuta os passos na escada do último andar e se prepara para um giro de corpo e acho que a energia ainda dá ou isso ou o último gole de gim então é esperar a porta abrir e segurar uma ameixa largada na madeira; o cara forte de branco larga a maca e vai correndo correndo correndo e salta-a-a-a-a-a-n-d-o, assim já em slow motion, em vão tentando te segurar e ao absurdo você se entrega e cai cada vez mais rápido e depressa e frenético e descompassado e olhares sustos e Beraldo e cachorro quente e mãe critã e Hello Kitty muito rápido com lábio aberto e Melissa meu amor eu te odeio e eu te amo e pai eu sinto muito por não gostar de grama e cada um no seu quadrado e não tem um só filho da mãe daquele jornal lá embaixo e tomara que ainda levem furo e todos se fod.............................................................

segunda-feira, março 10, 2008

O fim do começo é o começo do fim

“Viver é muito perigoso”. Essa celebre frase, dita por Riobaldo, em Grande Sertão veredas, tem ocupado grande parte das minhas reflexões de vida. Por que uma verdade tão simples é ao mesmo tempo tão complexa? Ontem, tomando um super frapê de café no Starbucks, 900 km de casa, me peguei apensar nessa história, que quase me custou uma lágrima solitária. Se tivesse rolado, teria sido até bom, porque lágrimas quando bem produzidas trazem consigo uma sabedoria difícil de obter de outra forma. Mas, de fato, sempre me parece estranhamente familiar essa questão crucial, que me bota melancólico por saber que a única resposta é a própria vida, incógnita pronta aos olhos, embora muitos não a vejam. Viver é tomar partido diante da vida, é fazer coisas, é estar no mundo para valer, disposto à briga. O que me lembrou uma das muitas frases especiais, daquela que dispõe do copywriting da minha alma: “Listas adiam o tempo, é preciso viver o agora”. De tão simples, é difícil para alguém como eu, que passou toda a adolescência listando o indizível e escondendo cabeça no buraco do avestruz.

Para Riobaldo, em sua sabedoria de matuto, a vida é repleta de tentações, e a imaginação, a criação humana, pode ser coisa do demônio. “Por isso é que se carece principalmente de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura”. A saída de Riobaldo não é sem lógica. Em verdade, é a de quase todo mundo: colocar alguma coisa nos buracos da alma para preencher. “Ignorância é benção”, me lembraram disso outro dia. Pode ser sábio se contentar só com um saber, não sei. Há algum tempo me é sabido que há certas respostas que nunca terei e coisas que nunca farei, e isso já deprimiu. Ainda o faz um pouco, é certo dizer, mas não há coisa mais bonita. Viver só é belo porque é perigoso, só dá gosto porque exige entrega, destreza do espírito. Exige assumir o risco, risco sempre grande, presente. Complicado: não há formulas, não há soluções prontas. Diria que não há saída mesmo. Cada escolha é individual, única, incomparável e ao mesmo tempo excludente. Não se vive duas vidas.

No Grande Sertão, Guimarães Rosa enfatiza a cada momento, via Riobaldo, quão perigoso é viver. “Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra”. Contar o que se vive, então, “é muito, muito dificultoso”. O mais interessante é que, no meio de tudo isso, há gente. É a única esperança da existência, embora no coletivo a coisa ande debandando para um destino meio estranho. Eu rio dessa descrença, mas só depois que consegui rir dessa crença. Porque viver é muito perigoso, sim, e é preciso beber água de todo rio. É preciso fazer não menos que tudo o que se precisa, sob pena de não ter vivido, desculpa indesculpável. É preciso sofrer tudo sem fugir, sob pena de não ter aprendido e perder a oportunidade. É preciso escolher, mesmo quando a contingência é duvidosa e o céu nubla. É preciso fazer poesia a cada instante, com o que vier pela frente.


Player: It Aint Me, Babe, by Bob Dylan

quinta-feira, agosto 30, 2007

Mensagem de Formatura

Não é fácil descrever quando é o fim de uma jornada. Para mim, esse término tem gosto de início de caminho, tem cheiro de caminhar. Se parece que passou muito rápido, provavelmente deixará saudades. Daqui pra frente, mais desafios virão. A grande poesia da vida é transformar em verso cada dificuldade, toda pedra que aparecer. O que ela espera de nós é coragem para enfrentar, fundamentada na experiência e sabedoria adquiridas a todo momento, em cada aula, conversa, leitura, distração, choro ou riso que molde nossa individualidade. Utilizemos o que aprendemos nas tantas jornadas da academia: sejamos corajosos, autênticos, honestos e bondosos de coração.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Réquiem das memórias prisioneiras

Falar anda chato. Talvez porque ande vendo muita coisa errada e sem jeito, e ainda incomoda. Menos, porque eu não vou resolver nada. Tenho a certeza de que sempre estive errado, e de que isso é minha salvação. Certas marcas, porém, vão para além da pele, para além da carne e ossos. Se escondem nas partes mais obscuras. Estão lá, atarraxadas como bala de caramelo em dente molar. E basicamente não assunto para escrever, além do que sempre houve. A sensação de que sempre soube demais, e de que é ótimo saber que não sei um bando de coisas. Preciso é me lembrar mais, para depois deixar as lembranças irem embora, e começar a ser o que não sei que sou. Não vou falar mais nisso, do que inclusive já não falei agora, me dando ao luxo de contar tudo no caminho.

Pegadores de Memórias

A idéia vem da obra de Daniel Quinn. Se você leu, já sacou, se não, explico-me: esse autor trabalha com dois conceitos, Pegadores e Largadores, que costumam, segundo um velho amigo meu e o próprio Quinn, ser bastante confundidos. Ele define Pegadores como as pessoas que tentam pegar o controle do mundo em suas mãos, acham que o modo como vivem é o melhor e que todos deveriam viver assim, e não querem desistir dele por nada. Largadores são os que decidem largar o controle do mundo nas mãos dos deuses, ou seja, das forças da natureza, o que obviamente nos remete a tribos não civilizadas.
Pense nos indígenas da Melanésia (não do Brasil, porque aqui tem muito índio que tranca a comida e negocia terra), aqueles cuja organização social não requer necessariamente intervenções severasno mundo, apenas vivem com o que é necessário para sua sobrevivência.
Pois bem, somos tambem pegadores de memórias. A espécie humana não se contenta em dominar o presente: a gente domina o passado também, a ai de quem diga que não dominaremos o futuro, haja mãe Diná. Controlamos inclusive o que deve ser lembrado, controlamos o que deve ser esquecido.
O resultado:a vida vira filme, editado, mixado, masterizado, com trilha sonora sutil que aumenta nas partes mais emocionantes, verdadeiro melograma. Cada lembrança é meticulosamente estudada pra saber se ela precisa ou não estar ali. Não é atoa que os mecanismos dos quais fala a psicanálise tenham nomes tão sugestivos: repressão (ou recalque), isolamento, ... É exatamente isso que a gente faz.
Obvio que nada disso é intencional. É tudo tão treinado durante o nosso desenvolvimento, como fazer diferente? Não obstante, pensamos que conhecemos nossa própria natureza. Sabemos exatamente como sempre fomos, e com uma boa previsão do que sempre seremos.
Pois bem. É minha opinião que, além de um Grande Esquecimento cultural dos Pegadores como grupo, há tambem, individualmente, há uma certa dose de esquecimento ontológico, pessoal, que adquirimos em nossa história de vida, e que é o ponto fundamental desse texto: o fato de a maioria de nós pensar, viver e tratar o mundo da forma como olha pra ele agora, mas considerando que, no passado, as coisas sempre foram assim. Eis aqui o sujeito que não aceita escrever por escrever, nas palavras do poeta Roger Samuel:

Não. Não escreverás um só texto
mas o que for dito e luminoso.


PS: Estranho voltar a escrever sem preocupações de novo. Porque tudo que me vem nesse exato momento são... preocupações.

sexta-feira, novembro 17, 2006

O Último Ar

A manhã começa a dar os primeiros sinais de um dia quente. A sala é abafada e cheira a tabaco, ao som de música instrumental. Ago celta.
Ele abriu a porta, com um olha de “já está ai?”, e pediu um momento.
Ao entrar, o de sempre há anos: O livro do Lacan embaixo do porta retrato, a mesa de mogno envelhecida, carcomida mas imponente. Na penumbra, o barbudo neurastênico, sempre, junto à parede observando, transcendia a pintura.
“Eu sei, sou uma mulher privilegiada. Uma mulher capaz de sentir um amor que muitos jamais irão sequer entender”...”Não consigo suportar o peso da minha própria existência; não tenho mais ânimo pra resistir e me levantar, não tenho por quê”.
Não tem porquê? O que você não tem, na verdade?
... “é como quando se vê duas pessoas que andam lado a lado, à distância, em nossa direção. Elas parecem mesmo estar lado a lado. Mas apenas caminham na mesma velocidade, uma a alguns passos a frente da outra”.
“Não diga elas, diga eu”.
“Sim, sim... em algum momento pode até parecer que conversam, que compartilham o mesmo trajeto diariamente, mas nunca se viram antes. É assim que eu me sinto em relação ao mundo”.
“Às vezes, andar lado a lado não significa estar junto, afinal”.
“Olho para ele, é como se fosse dizer algo, mas estou distante. Imagino quantos são os que de dentro de seus próprios passos, como eu, já imaginaram andar lado a lado”.
“Mas eu e ele, sabe, vivemos no mesmo tempo e em tempos diferentes. Eu estou... estou...”
“Está? Como você está?”
“... morta”.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Monografia (ou... ode aos títulos explicativos)

Meus olhos, se revoltam, exaustão precoce. Escreve é m,ais simples quanto você não está tentando convencer que está certo. Eu não costumo ligar muito, mas dessa vez, o método exige. Vou deixando pequenos pedaços de mim na tela do computador, coisinhas que eu venho acreditando nos últimos anos, e que o meu orientador vai mandar tirar se tiver o mínimo de bom senso. Torcer para que não tenha. Não vai sobrar nada. Às vezes, prefiro me imaginar incompreendido, mas não ignorado. É preciso frisson, e agora em conjunção com os ouvidos e olhos do mundo.

sábado, outubro 14, 2006

Av. Brasil

- Tio, porque os homens da televisão no debate se ofendem tanto?
- Isto é política menino...
- Mas tio, tá engraçado, um fica falando que é melhor que o outro
mas, pelo visto, os dois roubam, né?
- É, pelo que os dois mostram...
- Mas tio me explica uma coisa que eu estou curioso... Se os dois têm provas que ambos são desonestos, por que é mesmo que vamos votar neles?
- Por que vivemos em um país democrático, menino, e nosso voto é obrigatório.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Eu queria te dizer que...

Tenho mania de querer inventar moda às vezes. Uma delas, de tentar inventar a cada dia um jeito diferente de dizer que seus olhos são lindos. Tentar reconhecer você em mim por meus próprios gestos. Você me capta de um jeito que, ainda que me visse filmado, eu não perceberia. Até aquele movimentozinho que você faz com a boca, a forma de você ajeitar meus óculos.

O silêncio de hoje é diferente do silêncio de quando conversamos pela primeira vez. Aquele que tinha o peso do suspense, do talvez nunca mais nos falarmos. Se aquele ônibus tivesse atrasado ou adiantado. Eu tenho medo só de pensar no que poderia não ter acontecido. Se eu não tivesse me sentado ao seu lado, apreensivo, com curiosidade e um coração batendo mais forte.

Não é necessário inventar uma forma mais complexa de dizer as coisas. Você sabe disso muito bem e, por isso, diz com os olhos. Não há momento melhor no dia que aquele em que olho dentro dos seus olhos e sinto sua respiração. Olhos cansam fácil, parece que deveriam se agüentar mais nos detalhes. Dos seus olhos que deixam serem vistos e que me deixam ver para além deles.

terça-feira, setembro 26, 2006

O maior post que eu já escrevi

ai ai, velha diferenciação aristotélica entre potência e ato...

que entende de eletrônica sabe que é possível sim simular com perfeição os analógicos, em teoria. em teoria, pq vc precisaria de tecnologia tão avançada para imitar a onda igual, que, até o presente momento, não é economicamente viável.

enfim, na minha opinião, nas modulações tem tudo pra os digitais desbancarem os analógicos, até porque a tecnologia permite em muito expandir os limites por aí. Quanto a distorções, acho que vai demorar muito ainda, se é que um dia o analógico vai ficar obsoleto realemnte.

alias caso isso aconteça, temos outro problema: os grandes efeitos digitais em maioria são simulácros de efeitos analógicos. se estes caírem em desuso, o que os digitais vão imitar. é só conferir os efeitos próprios da line 6 pra ver que criatividade não é lá o forte deles, é mais emulação mesmo.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Depois e Antes de Viajar

Descubro que o silêncio é uma virtude. Nem todos os silenciosos sabem disso, por certo, e 90% dos tagarelas como eu achariam a afirmação inverídica. Mas uma das poucas vantagens de se ficar mais velho é duvidar dos estereótipos. Saber que nada é tão preto e branco que não se possa construir em tons de cinza. E fico dos mais satisfeitos por ser essa soma de contradições inexatas.

Porque a gente pensa demais, quer muita coisa, mas nem imagina outras. A gente se dá por vencido muito fácil e não se dá ao direito de pedir demais da vida. Eu costumava exagerar nos pedidos e ainda assim ganhei mais do que o esperado. Do que o merecido, também. O que é muito bom, porque o silêncio dela me olhando com aquele sorriso feliz não tem preço, nem no pensamento.

Descubro um sentimento inventado a partir do barulho do meu coração, melhor que o da TV. Que faz sentido e esquenta minhas orelhas. Que às vezes me aborrece por não ter chegado antes. Mas, como no cinema, tudo é questão de timing. Não importa o enredo quando a seqüência é bem construída e, às vezes, só quando a gente tira o som é que se percebe a pureza dos olhares.

sexta-feira, setembro 01, 2006

A mágica atrelada ao sonho
Demiúrgica
O lugar onde tudo é indeterminado
Não existindo, nada existe

quinta-feira, agosto 31, 2006

"O caminho dos justos é rodeado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens de mal. Abençoado é aquele que, no nome da caridade e da boa-vontade pastoreia os fracos pelo vale das sombras, a quem ele verdadeiramente protege, e encontra suas crianças perdidas. E eu atacarei com grande fúria àqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá que sou o Senhor quando minha vingança cair sobre você. Falo isso faz muito tempo. Eu nunca pensei realmente o que isso significava. Pensava que era algo pra dizer a um filho da mãe, antes de atirar nele. Mas, eu vi uma coisa hoje de manhã que me fez pensar duas vezes. Agora, fico pensando: Pode significar que você seja o homem mal. E eu sou o homem justo. E o Sr. 9mm aqui é o pastor protegendo os justos no vale da sombras. Ou pode ser que você seja o homem justo e eu o pastor, e é o mundo que é mal e egoísta. Eu gosto disso, mas não é a verdade. A verdade é que você é o fraco. E eu sou a tirania dos homens de mal. Mas eu estou tentando. Estou tentando mesmo ser o pastor." [Jules, Pulp Fiction]