quarta-feira, outubro 21, 2009
segunda-feira, outubro 19, 2009
Perguntas econômicas, ou Será que ainda estamos no lucro?
Sim, o Brasil passou, ao longo de sua história econômica, por uma série de abusos descabidos que, na melhor das hipóteses, levaram boa parte do que poderíamos ter usado, numa primeira análise, para construir riquesa aqui. E eu não me refiro a exportação de dançarinas de axé - falo de comodites bem mais clássicas: ouro, açucar, madeira, café, engenheiros e jogadores de futebol.
Mas não consigo deixar de pensar que, ainda assim, ficamos com algum lucro, justamente pelo fato de termos sido colonizados por portugueses, esses, sabidamente, não são os maiores especialitas em gestão e capitalismo de mercado. Além do mais, ser exportador de um único produto valioso não é algo que garante riqueisa para todo o povo - vide Oriente Médio.
Penso que, se algo realmente atrapalhou o Brasil, esse algo ocorreu até depois da independência, quando continuamos dependentes economicamente e não houve investimento em industria de base própria - não houve "alinhamento" (essa palavra se encaixa bem em qualquer situação, não?) com o desenvolvimento que se realizava fora. Porque estavamos ocupados produzindo um só produto, continuando o modelo da colonização.
Sim, trivial, meu caro. Mas também podia ter sido pior. Se tivessemos sido colonizados por espanhois, o estrativismo seria tamanho, e tão sem outras alternativas, que poderíamos ter, ainda hoje, um desenvolvimento agropecuário e industrial mais precários. E pior, teríamos muito provavelmente um território fragmentado. Ou seja, eu provavelmente seria estrangeiro ao viajar para o Rio de Janeiro. Isso certamente pioraria ainda mais a rivalidade entre os times de futebol.
Bem ou mal, a unificação promovida pelo modelo não tão sustentável de colonização portuguesa produziu um país que tem fronteiras com outros 10 (não me lembro se há outro com mais), com uma cultura de realtiva aceitação de diferenças - sem gerras há mais de 100 anos - e que deixou alguns potenciais econômicos para a geração atual gerir (e não vou comentar a venda da Vale porque vão dizer que sou petista. Mas nada contra o PT).
Isso quer dizer que eu acredito no Brasil será a maior potencia do mundo, que tudo vai dar certo no final e House e Cuddy vão realmente se casar? Não. Mas, se não seremos os mais desenvolvidos, acredito que temos potencial para sermos os mais felizes.
Razões para se sentir importante morando no Rio

1. As pessoas que você conhece, da sua cidade natal, querem passar o feriado na sua casa.
2. As pessoas que não você conhece, da sua cidade natal, querem passar o feriado na sua casa.
3. Eventos culturais gratis.
4. Você começa a achar normal tropeçar em pessoas que já atuaram em Malhação por ai.
5. Atores e celebridades são assaltadas em locais onde você passa com frequência, ali, perto da mercearia onde você compra frutas.
6. Os policiais são chiques e andam muito de helicóptero.
7. Helicópteros caem com uma frequencia assombrosamente acima do normal.
8. A TV Globo se dá ao trabalho de apagar partes da cidade (aquelas lá, nos morros) no Photoshop.
9. Shows de bandas grandes (as vezes) passam por aqui.
10. Algumas pessoas parecem brilhar mais que o que pode ser considerado normal.
Sobre a ausência
terça-feira, junho 30, 2009
Everybody's Changing

O menino de blusa vermelha - canto superior esquerdo da imagem - fazendo essa cara tímida e inocente, sou eu. Eu era tímido e inocente. Ainda sou, mas não sou, não da mesma forma. O menino fazendo chifrinho em mim é o Janos, e sim, nós somos amigos desde que consigo me lembrar. E isso me lembra que eu tenho muito poucos amigos, ou talvez eu os distingua de outros viajantes que poderia considerar mais. Eu ainda não sei. Porque às vezes parece que todos estão mudando e eu talvez não me sinta tão bem com isso.
Tão pouco T________e________m________p________o
Tanto que dá pra perder o quanto ainda dá para se sentir o mesmo. Eu tento guardar os pedaços de quem eu sou no meio de um furacão de prazos-metas-objetivos-seleçõe-sagrados-artigos-treinamentos.
Riobaldo diz Viver é perigoso, menino! mas o medo que se tem é o de ser tomado, arrebatado pelo fluxo do grande rio.
Sempre que eu desejei muito que algo acontecesse, nunca as minhas escolhas eram as mais corretas. O meu maior medo talvez seja perceber agora que eu nunca estive no controle. Eu sempre fui escolhido pelas melhores coisas que me aconteceram: no amor, no intelecto, na vida profisional.
Hoje, eu tenho certeza de que eu tanto caí apenas para aprender a ficar de pé. E não tenho mais medo de estar entando fazer um movimento só para continuar no jogo. Mudei de atividade três vezes em um ano, e agora mais uma vez aceito o desafio do eterno caminhar. Talvez esse seja meu maior vício.
Nas veredas eu agora me perco. A diferença é que não mais tenho tanta pressa em me achar.
quinta-feira, setembro 11, 2008
... something wrong
terça-feira, agosto 26, 2008
... e os olhares se calam
QUATRO ANOS É MUITO TEMPO
Voltinha celular sapateado. Existem coisas que não cabem a um órgão público, uma delas é gastar rios de dinheiro servindo cafezinho pra aspones e demais folgas nas autarquias Brasil afora e voltinha celular sapateado mas a pior delas são órgãos como Assembléias Legislativas e Senado Federal gastar com propaganda. Pra que diabos o Senado por exemplo quer fazer propaganda? o que vai divulgar a campanha? venda de senadores? só pode. Não há o que divulgar, todo mundo sabe que terá de votar e que tem depensar e ameaçar com quatro anos de miséria um não funciona quando um povo não sabe o que é viver fora dela nem que existe uma câmara de deputados em todas as unidades federativas, e eles estão lá, pelo menos na teoria pra servir o público e não há necessidade de dizer OLHA GENTE EXISTE UMA ELEIÇÃO PELA FRENTE>>>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>>>>> Existem propagandas que são essenciais, o Ministério da Saúde se vale de muitas delas para informar o cidadão geralmente em horário nobre e não custa barato, e a campanha da vacinação contra a Rubéola tão em voga no momento; porque as gotinhas não vão pagar pro horário na TV, nem usam outdoors e nem banners em carros e nem barulho. Faz toda a diferença. Que os cadidatos se encarregem do barulho eu até entendo o que me fura o olho é que alguém pare para olhar.
segunda-feira, agosto 25, 2008
A queda
segunda-feira, março 10, 2008
O fim do começo é o começo do fim
“Viver é muito perigoso”. Essa celebre frase, dita por Riobaldo, em Grande Sertão veredas, tem ocupado grande parte das minhas reflexões de vida. Por que uma verdade tão simples é ao mesmo tempo tão complexa? Ontem, tomando um super frapê de café no Starbucks, 900 km de casa, me peguei apensar nessa história, que quase me custou uma lágrima solitária. Se tivesse rolado, teria sido até bom, porque lágrimas quando bem produzidas trazem consigo uma sabedoria difícil de obter de outra forma. Mas, de fato, sempre me parece estranhamente familiar essa questão crucial, que me bota melancólico por saber que a única resposta é a própria vida, incógnita pronta aos olhos, embora muitos não a vejam. Viver é tomar partido diante da vida, é fazer coisas, é estar no mundo para valer, disposto à briga. O que me lembrou uma das muitas frases especiais, daquela que dispõe do copywriting da minha alma: “Listas adiam o tempo, é preciso viver o agora”. De tão simples, é difícil para alguém como eu, que passou toda a adolescência listando o indizível e escondendo cabeça no buraco do avestruz.
Para Riobaldo, em sua sabedoria de matuto, a vida é repleta de tentações, e a imaginação, a criação humana, pode ser coisa do demônio. “Por isso é que se carece principalmente de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura”. A saída de Riobaldo não é sem lógica. Em verdade, é a de quase todo mundo: colocar alguma coisa nos buracos da alma para preencher. “Ignorância é benção”, me lembraram disso outro dia. Pode ser sábio se contentar só com um saber, não sei. Há algum tempo me é sabido que há certas respostas que nunca terei e coisas que nunca farei, e isso já deprimiu. Ainda o faz um pouco, é certo dizer, mas não há coisa mais bonita. Viver só é belo porque é perigoso, só dá gosto porque exige entrega, destreza do espírito. Exige assumir o risco, risco sempre grande, presente. Complicado: não há formulas, não há soluções prontas. Diria que não há saída mesmo. Cada escolha é individual, única, incomparável e ao mesmo tempo excludente. Não se vive duas vidas.
No Grande Sertão, Guimarães Rosa enfatiza a cada momento, via Riobaldo, quão perigoso é viver. “Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra”. Contar o que se vive, então, “é muito, muito dificultoso”. O mais interessante é que, no meio de tudo isso, há gente. É a única esperança da existência, embora no coletivo a coisa ande debandando para um destino meio estranho. Eu rio dessa descrença, mas só depois que consegui rir dessa crença. Porque viver é muito perigoso, sim, e é preciso beber água de todo rio. É preciso fazer não menos que tudo o que se precisa, sob pena de não ter vivido, desculpa indesculpável. É preciso sofrer tudo sem fugir, sob pena de não ter aprendido e perder a oportunidade. É preciso escolher, mesmo quando a contingência é duvidosa e o céu nubla. É preciso fazer poesia a cada instante, com o que vier pela frente.
quinta-feira, agosto 30, 2007
Mensagem de Formatura
sexta-feira, agosto 24, 2007
Réquiem das memórias prisioneiras
Pegadores de Memórias
Pense nos indígenas da Melanésia (não do Brasil, porque aqui tem muito índio que tranca a comida e negocia terra), aqueles cuja organização social não requer necessariamente intervenções severasno mundo, apenas vivem com o que é necessário para sua sobrevivência.
Pois bem, somos tambem pegadores de memórias. A espécie humana não se contenta em dominar o presente: a gente domina o passado também, a ai de quem diga que não dominaremos o futuro, haja mãe Diná. Controlamos inclusive o que deve ser lembrado, controlamos o que deve ser esquecido.
O resultado:a vida vira filme, editado, mixado, masterizado, com trilha sonora sutil que aumenta nas partes mais emocionantes, verdadeiro melograma. Cada lembrança é meticulosamente estudada pra saber se ela precisa ou não estar ali. Não é atoa que os mecanismos dos quais fala a psicanálise tenham nomes tão sugestivos: repressão (ou recalque), isolamento, ... É exatamente isso que a gente faz.
Obvio que nada disso é intencional. É tudo tão treinado durante o nosso desenvolvimento, como fazer diferente? Não obstante, pensamos que conhecemos nossa própria natureza. Sabemos exatamente como sempre fomos, e com uma boa previsão do que sempre seremos.
Pois bem. É minha opinião que, além de um Grande Esquecimento cultural dos Pegadores como grupo, há tambem, individualmente, há uma certa dose de esquecimento ontológico, pessoal, que adquirimos em nossa história de vida, e que é o ponto fundamental desse texto: o fato de a maioria de nós pensar, viver e tratar o mundo da forma como olha pra ele agora, mas considerando que, no passado, as coisas sempre foram assim. Eis aqui o sujeito que não aceita escrever por escrever, nas palavras do poeta Roger Samuel:
mas o que for dito e luminoso.
sexta-feira, novembro 17, 2006
O Último Ar
Ele abriu a porta, com um olha de “já está ai?”, e pediu um momento.
Ao entrar, o de sempre há anos: O livro do Lacan embaixo do porta retrato, a mesa de mogno envelhecida, carcomida mas imponente. Na penumbra, o barbudo neurastênico, sempre, junto à parede observando, transcendia a pintura.
“Eu sei, sou uma mulher privilegiada. Uma mulher capaz de sentir um amor que muitos jamais irão sequer entender”...”Não consigo suportar o peso da minha própria existência; não tenho mais ânimo pra resistir e me levantar, não tenho por quê”.
Não tem porquê? O que você não tem, na verdade?
... “é como quando se vê duas pessoas que andam lado a lado, à distância, em nossa direção. Elas parecem mesmo estar lado a lado. Mas apenas caminham na mesma velocidade, uma a alguns passos a frente da outra”.
“Não diga elas, diga eu”.
“Sim, sim... em algum momento pode até parecer que conversam, que compartilham o mesmo trajeto diariamente, mas nunca se viram antes. É assim que eu me sinto em relação ao mundo”.
“Às vezes, andar lado a lado não significa estar junto, afinal”.
“Olho para ele, é como se fosse dizer algo, mas estou distante. Imagino quantos são os que de dentro de seus próprios passos, como eu, já imaginaram andar lado a lado”.
“Mas eu e ele, sabe, vivemos no mesmo tempo e em tempos diferentes. Eu estou... estou...”
“Está? Como você está?”
“... morta”.
quinta-feira, outubro 19, 2006
Monografia (ou... ode aos títulos explicativos)
sábado, outubro 14, 2006
Av. Brasil
- Isto é política menino...
- Mas tio, tá engraçado, um fica falando que é melhor que o outro
mas, pelo visto, os dois roubam, né?
- É, pelo que os dois mostram...
- Mas tio me explica uma coisa que eu estou curioso... Se os dois têm provas que ambos são desonestos, por que é mesmo que vamos votar neles?
- Por que vivemos em um país democrático, menino, e nosso voto é obrigatório.
segunda-feira, outubro 02, 2006
Eu queria te dizer que...
O silêncio de hoje é diferente do silêncio de quando conversamos pela primeira vez. Aquele que tinha o peso do suspense, do talvez nunca mais nos falarmos. Se aquele ônibus tivesse atrasado ou adiantado. Eu tenho medo só de pensar no que poderia não ter acontecido. Se eu não tivesse me sentado ao seu lado, apreensivo, com curiosidade e um coração batendo mais forte.
Não é necessário inventar uma forma mais complexa de dizer as coisas. Você sabe disso muito bem e, por isso, diz com os olhos. Não há momento melhor no dia que aquele em que olho dentro dos seus olhos e sinto sua respiração. Olhos cansam fácil, parece que deveriam se agüentar mais nos detalhes. Dos seus olhos que deixam serem vistos e que me deixam ver para além deles.
terça-feira, setembro 26, 2006
O maior post que eu já escrevi
que entende de eletrônica sabe que é possível sim simular com perfeição os analógicos, em teoria. em teoria, pq vc precisaria de tecnologia tão avançada para imitar a onda igual, que, até o presente momento, não é economicamente viável.
enfim, na minha opinião, nas modulações tem tudo pra os digitais desbancarem os analógicos, até porque a tecnologia permite em muito expandir os limites por aí. Quanto a distorções, acho que vai demorar muito ainda, se é que um dia o analógico vai ficar obsoleto realemnte.
alias caso isso aconteça, temos outro problema: os grandes efeitos digitais em maioria são simulácros de efeitos analógicos. se estes caírem em desuso, o que os digitais vão imitar. é só conferir os efeitos próprios da line 6 pra ver que criatividade não é lá o forte deles, é mais emulação mesmo.
segunda-feira, setembro 11, 2006
Depois e Antes de Viajar
Porque a gente pensa demais, quer muita coisa, mas nem imagina outras. A gente se dá por vencido muito fácil e não se dá ao direito de pedir demais da vida. Eu costumava exagerar nos pedidos e ainda assim ganhei mais do que o esperado. Do que o merecido, também. O que é muito bom, porque o silêncio dela me olhando com aquele sorriso feliz não tem preço, nem no pensamento.
Descubro um sentimento inventado a partir do barulho do meu coração, melhor que o da TV. Que faz sentido e esquenta minhas orelhas. Que às vezes me aborrece por não ter chegado antes. Mas, como no cinema, tudo é questão de timing. Não importa o enredo quando a seqüência é bem construída e, às vezes, só quando a gente tira o som é que se percebe a pureza dos olhares.